ESG CHEGA À CONSTRUÇÃO COM EDIFÍCIOS DE MADEIRA

Publicado em: 28.04.2021

Resistente e leve, o CLT substitui concreto e o aço na estrutura das construções, reduzindo danos ambientais.

A indústria da construção civil é uma das mais poluentes do mundo e que mais contrastam com o conceito ESG. Quase 40% das emissões de dióxido de carbono no planeta são devidas à longa cadeia de edificações em centros urbanos.

Uma das soluções para essa pedra no caminho das metas de redução de CO2 estabelecidas pelo Acordo de Paris acaba de chegar ao Brasil: os edifícios de madeira.

Não se trata de qualquer madeira, mas um aglomerado industrial de espécies de reflorestamento, o Cross Laminated Timber (CLT). Também não se trata do uso conhecido em coberturas, fechamentos ou acabamentos apenas.

Maleável e leve, o aglomerado industrial promove seu maior ganho ambiental por substituir concreto e aço na estrutura das edificações.

Com ele a indústria da construção civil ganha um aliado para aderir ao conceito ESG, adotado por empresas preocupadas com o meio ambiente, o social e a governança (Environmental, Social and Corporate Governance).

Resistência do concreto, leveza da madeira

Com a resistência do concreto, o material já dá corpo a edifícios na Europa e dos Estados Unidos, como a nova sede mundial do Walmart, em construção no Arkansas, e o escritório da Adidas, em Portland.

Os dois projetos, além de lindos e leves, são considerados neutros em carbono, amigos do ambiente da concepção à ocupação, sendo exemplos de alinhamento ao conceito ESG na construção civil.

“Com o CLT é possível, inclusive, erguer edifícios de emissão negativa de carbono”, explica Nicolaos Theodorakis responsável pela vinda da tecnologia austríaca para o Brasil.

ESG na construção com o sequestro de carbono

O fato de promover reflorestamento e só fazer uso de espécies de crescimento rápido, sequestradoras de carbono, permite ao processo construtivo esse ganho ambiental cada vez mais valioso.

Depois de dez anos à frente de uma grande incorporadora de construção tradicional, o engenheiro de produção chegou à conclusão que era o momento de “construir certo”.

“As empresas entenderam que não tem mais como ir contra os anseios das novas gerações. O ESG veio para ficar e tomar conta”, diz o empresário egresso do mercado financeiro que, em 2019, fundou a empresa de construções de madeira Noah Wood Building Design, captando R$ 1,6 milhão em sua primeira rodada de negócios.

A empresa tem, por enquanto, os primeiros projetos previstos para a cidade de São Paulo, na maioria, escritórios.

“O mercado corporativo tem a qualidade de fazer com que a experiência do edifício de madeira seja multiplicada ao mesmo tempo para muitas pessoas”, diz Theodorakis.

Novas demandas na construção civil com a pandemia

Com a chegada da pandemia e a transformação do trabalho remoto em rotina, porém, começaram a crescer as consultas para edifícios residenciais.

“A madeira é atraente e, de muitas formas, estimula e acolhe”, diz o CEO. Apesar do tratamento industrial, que garante a resistência, a leveza e a agilidade de pré-fabricados, o CLT preserva as sensações táteis e visuais da madeira natural. Com o bônus de se saber dentro de um edifício não agrediu o meio ambiente.

“A opção pelo CLT garante um tempo de entrega até 50% menor do empreendimento, 25% a menos de desperdício de material, redução de transporte (1 m³ de concreto pesa aproximadamente 2,7 toneladas, enquanto 1 m³ de CLT pesa 400 kg)  e um canteiro de obras livre de resíduos, entulhamento ou outro impacto urbano”, diz.

Canteiro de obras inteligente e ESG

“Não incomoda nem os vizinhos”, acrescenta Cintia Valente, CMO da Noah. “Como entregamos os módulos prontos, a operação não é de construção, mas de montagem”, diz a executiva que atua no planejamento de canteiros de obras ocupados 100% por mulheres. “É uma obra leve, veloz, que só requer inteligência na montagem”, observa.

Theodorakis não comemora o aumento dos preços do aço e do concreto, que favorecem a escolha do CLT como alternativa à cultura arquitetônica do concreto no Brasil.

A crise sem precedentes por materiais na construção civil não estava nos planos e tornou urgente o surgimento de opções.

“Nossos parceiros e ‘bench marks’ de outros países como a Katerra têm mais demanda do que conseguem entregar, apesar da escala a que estão capacitados”, comemora o CEO.

“Os projetos com o material assistem a uma ocupação (venda ou aluguel) muito rápida e a demanda por contratos de aluguel muito mais longos. É claramente a busca por bem-estar e consciência de futuro gerando resultados financeiros.”

Por: Ana Weiss

Matéria comentada do portal: https://oespecialista.com.br/

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